Desde sempre, sou boa no que faço. É o meu trabalho. E sei que sempre será.
Mas eu não tive culpa, pequena Elli. Eu estava aproveitando o sol.
Pude ver quando Benny beijou sua mãe e saiu. Eu estava sentada na grama verde.
Seu pai usava tênis, camiseta e jeans. Agneta ainda estava de pijama. Eu podia sentir o aroma do café que vinha da xícara que sua mãe segurava, Elli.
Benny saiu pela porta da frente, beijou Agneta, entrou no carro, mas resolveu não partir. Voltou ao jardim. Não me importei. Eu não trabalho o tempo todo. Ele veio até mim. Não pude evitar. Não pude.
Elli, eu sei que você já vai à escola, que tem um cãozinho chamado Marvin e é alérgica a chocolate. Sei, também, que Agneta, sua mãe, gosta de cuidar do jardim. Eu sei de muitas coisas sobre muitas pessoas. Faz parte do meu ofício. Mas, naquela manhã, eu só estava aproveitando o sol.
Eu não sou má, Elli, mas dizem que sou necessária.
Benny partiu, mas eu não tive culpa.
Seu cabelo e as flores do jardim de Agneta fazem-me bem. Não me odeie. Não tenha medo de mim.
Sou a morte, mas, naquela manhã de verão, eu estava apenas sentada na grama aproveitando o sol.